sexta-feira, agosto 04, 2006

...tempus...

Recostado na cadeira, desvio o olhar do livro, e olho a parede.É branca, nua, fria e tão próxima, como se bastasse tal vista para ser fustigado por memorias mil... engraçado como encontramos no vazio tudo que deixamos lá longe...
Esta é a canção do chorar, onde o velho franze o sobrolho, suspira e lamenta o imutável.
Recorda olhares, promessas, tragédias e copos vazios.
A vida acontece, sem esperar pelas lágrimas que correm como dias sem fim, lamentáveis e custosos...
Esta é a canção de quem seguro em meus braços vazios... onde moram apenas leves palavras sussurradas como lacerantes fiascos divinos.
Sei que sinto, que sinto muito, mas apenas sou. Sei que minto, minto muito, e que de penas me livro, como um leproso de chagas pelas ruas do que lembro, e suspiro...
Tempus fugit... mas eu não consigo...

segunda-feira, junho 19, 2006

...pequenos mundos...




Temos o nosso... e é do tamanho da nossa alma.
Julgamos a importancia pelo tamanho, e nisto de mundos, que importa a dimensão?
Encantam-me esses pequenos mundos, fechados e esquecidos...
Teias de aranha e fantasmas lúgubres e de outros, embaraços de outrora de lágrimas uma vez caídas e para sempre sentidas...
Encantam-me cantos poeirentos e vazios... outrora ocupados por servis destroços, que compunham toda uma vida.
Encantam-me, pequenos mundos...

sábado, junho 10, 2006


...a quem pertence essa luz...





Olho perplexo a luz que teima em me seguir...
Fujo do calor e da caricia que ela promete. Prefiro a penumbra do outro lado.
Sigo fugidio, agarrado a quem já não sou...
Se ao menos eu tivesse a certeza, se não fosse pela tua alma, não seria nada mais que eu mesmo, absorto em lamurias e chagas de outras paragens...
Só com uma luz.
Para me guiar e proteger do meu olhar, que me persegue como um predador faminto e sem pudor, que me viola os sentidos enquanto me dou conta que vivo sou só mais um...
Essa luz pertence... a quem não digo...

...what love becomes...all that it ever was...

“…para sempre…”

Quando tudo se resume a momentos de mutuo incomodo, aí sabemos que a vida é nada mais do que sombras…

E nada do que sente importa, apenas existe, nada mais…

Sentir o nunca mais sentir, saber que o eterno é agora ferida sentida, e o horizonte que se deforma em tons de cinzento que arde…

E eu não me agarro a nada, nem ás mentiras que continham aqui…

De algum modo o aqui desapareceu. Desvanecido em formas de figuras sombrias.

E aí está o sol, outra vez… e mais um dia. E o espelho que não perdoa.

E tudo me segura e afasta, o mesmo horror que nunca me arrasta…

E custa tanto saber, e dói tanto sentir, e mais uma vez não te encontro, e pelo ultimo toque me seguro e suspiro…

E deixaste na mesma o mundo matar, na mesma mentira tudo tocar… e agora volto para casa. E deixaste-me lá longe atrás, e alguém disse que fiquei com o que tinha.

E não consigo partilhar a dor… posso cometer os meus próprios erros, mas nunca sangrar sem amor…

Tudo que desapareceu, todos os locais onde cresci… os momentos em que manchei tudo que todos querem puro e duro. Sentado como pedra, todos nos sentimos pesados… como que enforcados, condenados…

Tudo o que sei é que não devemos fugir de nada, e lugar algum onde fugir para… para tudo que não conseguimos mudar. Tudo o que sabemos é esperar, pagar, e recordar.

Como visões de ensombrar, fantasmas reais, e sonhos nunca ao toque de alcançar.

Cantem agora, no meu lugar, com chagas que não posso curar…

Caminhei até ti, para te conhecer. Disse desculpa, não merecedor, pedi amor…

Diz-me tudo, os segredos, voltar ao início, ao ventre, lá onde tudo começa, tentar lutar contra o fim que nos persegue como sentença divina. Mas foste anjo, juiz e carrasco… fui salvo e assassinado pelas mesmas mãos. Não me posso queixar… nunca me irás amar…

Vou voltar a caminhar, sempre sozinho, sempre ferido, sempre comigo… a tua imagem…

Sangraria de novo tudo, mesmo só de passagem…

Afinal, que é este mundo senão uma aragem? Lufada de ar, que sufoca e alivia… dores, terrores, louvores, etc… nada mais que ilusão que quem pretende viver pela razão, e morre sem honra por não sentir a oração, a canção, a solidão.

E a vida não passa de um longo Dezembro, que não me lembro de ser algo mais que uma folha molhada e morta entre montanhas de outras, tal qual almas estagnadas e esperando salvação.

Guiei até ao Inverno mais profundo e vi-me em suas entranhas, amordaçado por tamanha angustia, dantesca tristeza, e vi-me a mim, como o vazio se reflecte no vento, eu me revejo no que fica quando de ti me ausento…

Chorei mas não me vi, e quando no ar atirei minhas mãos, apenas vi nuvens que ao passar marcam tempo de acabar.

Passeio-me pelas ruas escuras, que um dia foram belas, o silencio como o vazio de minh’alma, e sei que por aqui andarei… para sempre…



...local que me persegue...

Sou prisioneiro... de locais, de toques, de chamadas perdidas...
No fundo somos todos, e a vida não passa de uma prisão, na qual cumprimos uma pena, ou não...
É um periodo de tempo, incerto e ao qual não podemos escapar.
Criamos pequenos espaços na nossa mente, para onde fugimos quando as paredes nos esmagam.
Ficamos ligados a imagens e a momentos, e por vezes sinto-me escravo de cenários. E escapar é impossivel. Aquela dor que acaricia, a tal ferida que nos lembra a vida...
Sou, eu, talvez, apenas mais um dos locais, esses que me perseguem...
Porque no fundo, só sei viver sem mim...

sexta-feira, junho 09, 2006


"...sozinha..."


Fotografar...
Para mim é testemunhar.
É um momento único... que nos é oferecido.
Esta foto ilustra este facto melhor do que qualquer outra...
E é uma dádiva... sentir um momento, captá-lo e depois sentir a missão cumprida...
É isto fotografia: uma missão a cumprir.